quinta-feira, 10 de setembro de 2015

E o pai na feminilidade da filha?





Segundo Lacan (1957) no texto "De uma questão preliminar" do livro Escritos, os pais por serem eles mesmos, submetidos a uma inscrição simbólica, possibilita a transmissão da metáfora paterna sobre os filhos.
Nesse sentido, quando uma mãe pensa ser a lei, ela pode favorecer a exclusão da função paterna na vida de uma criança. Assim, muitas vezes a mãe escolhe diversas figuras masculinas ao longo dos anos como aquele que poderia instaurar uma lei, um educador, um pediatra, mas nunca o pai da criança. Com essa suposta solução dada pela mãe, não fica um lugar exato de seu desejo e talvez, fosse esse o propósito inconsciente da mãe, ou seja, não permitir que a função simbólica funcione, pois isso traria uma limitação de poder sobre a filha.
É o que podemos transcrever no poema de T.S Eliot:

"Nós tivemos a experiência mas faltou sua significação,
E a busca da significação restaura a experiência de uma forma diferente..."

"Poder dispensar o pai sob a condição dele ter-se servido, indica, segundo Eric Laurent, a possibilidade de uma filha ter ultrapassado o nível em que deve manter o pai como ideal."

Sob a ótica psicanalítica, só subsiste amor e respeito ao pai se for para além do ideal. Se há falhas na função paterna,  o pai deixa de ser idealizado e se torna um pai animado de uma vontade, um desejo, mestre de seu desejo. Dessa forma, a filha fica impossibilitada de aceitar a castração do pai, bem como a sua, e pelo gozo de seu próprio sintoma, procuraria dar consistência ao Outro, consistência esta, que valeria para ela também.

Fonte:A Relação Mãe e Filha - Malvine Zalcberg, 2003

Imagem: Chadin, Pai, Mãe e Filha, 1756