quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Hannah Arendt, a cientista política


Uma breve homenagem à essa mulher maravilhosa que no dia de hoje faria 109 anos: Hannah Arendt



Hannah Arendt nasceu em Hannover, na Alemanha no dia 14 de outubro de 1906. Não gostava de ser tratada como filósofa, e preferia a denominação cientista política.
O pluralismo político era um dos conceitos básicos pregados por Hannah, de maneira que a igualdade, política e a liberdade era manisfestada naturalmente entre as pessoas, numa perspectiva de inclusão, isto é, com tolerância e respeito às diferenças. Privilegiava a democracia direta, e em relação aos sistemas de conselhos em detrimento de formas de democracia representativa, adotava uma postura notadamente crítica.

Um trecho de sua obra intitulada: "A Dignidade da Política":

"Ainda que eu tivesse que viver inteiramente sozinho, estando vivo, eu viveria na condição de pluralidade. Tenho que me suportar, e não há lugar em que o eu-comigo-mesmo se mostre mais claramente do que no pensamento puro, sempre um diálogo entre os dois que sou. O filósofo que, tentando escapar da condição humana de pluralidade, foge para a solidão total, entrega-se, de forma mais radical do que qualquer outro, a essa pluralidade inerente a todo ser humano, pois é a companhia dos outros que, atraindo-me para fora do diálogo do pensamento torna-me novamente um — um ser só humano, único, falando apenas com uma voz e sendo reconhecido como tal por todos os outros."

O diálogo entre amigos, da obra: "A Dignidade da Política".

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Por uma feminilidade possível




De acordo com Lacan em seu texto "Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise (1964-1965) a questão feminina é abordada a partir da ideia de criatividade pela qual o significante recorta as bordas do real e o produz como seu exterior. "Onde está o fundo? É a ausência? Não. A ruptura, a fenda, traço da abertura faz surgir a metade". (p.31). Este é um paradigma lacaniano, de modo que torna-se importante para a abordagem do furo no simbólico, ou seja, num mais-além do falo. As mulheres estão sempre ameaçadas por algo sem a inscrição simbólica irromper em seus corpos. Neste sentido, elas precisam constantemente serem resgatas do domínio do real, isto é, do que está fora do significado, sendo esta, uma maneira de cobrir a mulher frente ao nada com o qual ela se depara em seu espelho inacabado de sua definição feminina.
Se seguimos essa indicação, de que o falo e a castração não são mais obstáculos a feminilidade,  mas sim, condições para uma feminilidade possível, há uma delimitação do significante como função criadora.

Fonte: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise (O Seminário, livro 11), 1964-1965.