sexta-feira, 31 de julho de 2015

Histeria e Feminilidade


A procura da histérica para nomear-se como mulher é através da imagem de seu corpo, buscando através dele a pergunta sobre a feminilidade. É uma maneira por ela encontrada de dar nome ao inominável no lugar feminino, pois, não existe um significante próprio para a mulher, tal qual como existe para o homem, o falo.
A feminilidade da histérica lhe é estranha, e ela venera através de seu próprio corpo, o mistério da Outra mulher que pode conter o segredo do que ela é, tentando através dessa outra mulher, de um outro real que dê um corpo.

Assim, da histeria a feminilidade há um longo caminho de sintomas, queixas, dores, mães sufocantes ou ausentes, pais idealizados ou impotentes e um gozo que muitas vezes em alguns casos, leva a tomar um filho como falo.
Por essa razão é que quando uma histérica busca uma análise, ela vem essencialmente em busca de um lugar no Outro.

A histérica reinventa um corpo no corpo, poderíamos dizer, pois ela sabe jogar com a sua própria anatomia que é imaginária e responde às necessidades de seu sintoma.
Nesse sentido, a história se inscreve nos sintomas corporais.

"O propósito da histeria pura é fazer do corpo real, o que alberga o sintoma, o lugar físico de ativação do sintoma. Este é o desafio da histérica: fazer corpo com seu sintoma. Este corpo, lugar do “acontecimento do sintoma”, não é o mesmo que o corpo tomado no discurso. O corpo tomado no discurso é um corpo falado, um corpo gozado; o corpo falante é, ao contrário, um corpo que goza".

Referências: Florencia Farías - O corpo da histérica – O corpo feminino (2010).

quarta-feira, 29 de julho de 2015

"Filhos e Amantes"


"Um filho será meu filho até encontrar uma mulher, mas uma filha será minha filha toda a vida".

[D.H Lawerence. In: "Filhos e Amantes"(1913)]


O livro "Filhos e Amantes"  possui um caráter autobiográfico, uma vez que o autor faz uma homenagem a mãe, da qual sente um amor absoluto (nota da autora) e um ódio pela figura paterna, além de reproduzir as divergências, conflitos e crises conjugais por que passaram os pais de Lawerence. O livro também nos apresenta uma projeção perfeita do complexo de Édipo e do complexo de Jocasta.


segunda-feira, 27 de julho de 2015

A inscrição de um olhar



"A beleza só está no olhar de amor e de desejo com que o Outro possa revestir uma mulher".

(Maria Anita Carneiro Ribeiro - no Congresso "O amor e suas letras")


Uma menina precisa do olhar da mãe para que constitua a sua feminilidade, uma que é única, e portanto, criada por cada mulher.

Nesse sentido, é preciso que a menina possa ter sido o objeto (a), pois, ela precisa saber que ocupou o lugar de fantasia da mãe.
Quando a mãe acolhe a filha em sua fantasia como objeto (a) e traz-lhe uma compensação como objeto mais-de-gozar, ela aceita o limite que a castração lhe impõe, o seu olhar, dessa forma, indicará para a filha, que a mãe também é atravessada pela falta.
(ZALCBERG, 2003). 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

A confusão nos afetos


A Mãe

A menina escreveu uma história. "Mas quão melhor seria se você escrevesse um romance", disse a mãe. A menina construiu uma casa de bonecas. "Mas quão melhor seria se fosse uma casa de verdade", disse a mãe. A menina fez um travesseirinho para o pai. "Mas quão mais útil seria uma colcha", disse a mãe. A menina cavou um pequeno buraco no jardim. "Mas quão melhor seria se você cavasse um buraco grande", disse a mãe. A menina cavou um buraco grande e entrou nele para dormir. "Mas quão melhor seria se você dormisse para sempre", disse a mãe.

Esse conto foi publicado no jornal Folha de São Paulo no dia 04/05/2014 e é de Lydia Davis, conhecida por seus escritos brevíssimos. Este conto está em seu primeiro livro:"Break it Down" (1986). É americana e ganhadora do Man Booker International Prize em 2013. 

Quando existe amor, há também o desejo de morte, bem como nos ensinou Lacan em seu seminário XX (Mais, ainda) no termo "Amódio".

Nesse sentido, o motivo do título dessa postagem é a respeito da confusão de afetos, da crença de que o amor de mãe é inato e não construído.


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Sobre o amor:


Sugestão para leitura









Neste livro há sete pequenos artigos de "Profissões para mulheres e outros artigos feministas", de maneira que a autora, Virginia, tece as imagens e os valores que produziram o "gênero" feminino no início do séc XX.  

Tornar-se mulher






De acordo com a autora Malvine Zalcberg (2003), uma relação demasiada intensa com a mãe é capaz de impedir uma menina a tornar-se mulher.

Um exemplo disso é a poetisa Sylvia Plath que encontrou no suicídio uma forma de libertar-se da mãe.
Um trecho de sua poesia: 

"A mulher ficou perfeita/ Seu corpo/ Morto sorri o sorriso da realização". [Sylvia Plath] 


Nesse trecho da poesia, podemos dizer que a realização desejada por Sylvia é libertar-se de sua mãe.


Referências: Malvine Zalcberg - A relação mãe e filha (2003).