A procura da histérica para nomear-se como mulher é através da imagem de seu corpo, buscando através dele a pergunta sobre a feminilidade. É uma maneira por ela encontrada de dar nome ao inominável no lugar feminino, pois, não existe um significante próprio para a mulher, tal qual como existe para o homem, o falo.
A feminilidade da histérica lhe é estranha, e ela venera através de seu próprio corpo, o mistério da Outra mulher que pode conter o segredo do que ela é, tentando através dessa outra mulher, de um outro real que dê um corpo.
Assim, da histeria a feminilidade há um longo caminho de sintomas, queixas, dores, mães sufocantes ou ausentes, pais idealizados ou impotentes e um gozo que muitas vezes em alguns casos, leva a tomar um filho como falo.
Por essa razão é que quando uma histérica busca uma análise, ela vem essencialmente em busca de um lugar no Outro.
A histérica reinventa um corpo no corpo, poderíamos dizer, pois ela sabe jogar com a sua própria anatomia que é imaginária e responde às necessidades de seu sintoma.
Nesse sentido, a história se inscreve nos sintomas corporais.
"O propósito da histeria pura é fazer do corpo real, o que alberga o sintoma, o lugar físico de
ativação do sintoma.
Este é o desafio da histérica: fazer corpo com seu sintoma.
Este corpo, lugar do “acontecimento do sintoma”, não é o mesmo que o corpo tomado no
discurso. O corpo tomado no discurso é um corpo falado, um corpo gozado; o corpo falante é,
ao contrário, um corpo que goza".
Referências: Florencia Farías - O corpo da histérica – O corpo feminino (2010).

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