No último domingo (23) a seleção brasileira
foi derrotada pela seleção francesa provocando a sua saída da Copa do Mundo de
2019. Mas, o que foi notícia em algumas mídias sociais, e discuto na coluna de
hoje, é sobre os ataques racistas que a zagueira francesa, Wendie Renard,
recebeu nas redes sociais durante a partida.
Wendie Renard defende o clube francês Lyon
desde os 14 anos, e é vista como um dos nomes mais importantes do elenco
feminino. Tem 28 anos e já venceu 11
campeonatos franceses, 4 Champions League, recebe o terceiro salário maior do
futebol feminino, e como escreveu D’Jamila Ribeiro, colunista, blogueira e
líder de movimentos feministas e negros, em sua conta no instagram, Wendie,
mesmo com todo esse histórico e sua excelente técnica, foi reduzida a “preta do
cabelo duro e feio”.
Há quem ainda acredite na inexistência de
preconceito de cor. Mas, acontecimentos como estes, infelizmente, são mais
comuns do que podemos imaginar. Atualmente as redes sociais são, por
excelência, o lugar em que mais presenciamos isso. O que aconteceu com a
zagueira francesa é um dentre os milhares de comentários racistas que acontecem
todos os dias, nas redes sociais, e fora delas.
Nessa perspectiva, existem também aqueles
indivíduos que atribuem ao racismo pauta dos movimentos de esquerda. Ora, a
igualdade social pertence a grupos e não a um todo?
Racismo é ainda uma questão mundial sim! E o
tema é também muito discutido no Brasil, um país, inclusive, mestiço onde
ocorre a mistura principalmente, de negros, brancos e índios. São desde piadas,
músicas, comentários, até a violência (de toda e qualquer ordem) que ainda, em
tempos atuais se faz muito presente.
O que aconteceu com Wendie ocorre todos os
dias. Como muito bem escreveu D’Jamila: “Quantas mulheres negras se violentam
para atender a imposição de padrão estético? Quantas feridas causadas no couro
cabeludo, na autoestima? Quantas violências no cotidiano escolar? Desde “não
vou dançar com a neguinha do cabelo duro” a “por que você não alisa o seu
cabelo” (...) Por que Wendie deve atender a um padrão mesmo aquele estabelecido
dentro da comunidade, como se não fôssemos diversas?”
O preconceito continuará a existir enquanto o
pensamento das pessoas for aquele em que o negro não pode ocupar o mesmo “lugar
do branco”. Enquanto o acesso universitário e profissional não representar o
cotidiano, enquanto uma mulher, negra, jogadora de futebol, não atender ao
padrão estético da sociedade porque a forma como ela usa o cabelo incomoda as
outras pessoas.
Somos todos Wendie. A maior expressão do
preconceito racial no Brasil é quando tenta-se negar que o preconceito não
existe. Ele é pauta atualíssima, e é a prova do quanto precisamos evoluir
enquanto brasileiros, e enquanto humanidade.
Não tão distante, um trecho da frase de Haile
Selassie, no discurso na Liga das Nações de 1963, e que serviu de inspiração a
música de Bob Marley “War”, ainda sobrevive: “Enquanto a cor da pele for mais
importante do que o brilho nos olhos, haverá guerra”.






