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| Imagem retirada do site: Unsplash |
Certo
dia deparei-me com esta frase de Vladimir Maiakósvski, um poeta russo, e pensei:
“Essa frase daria um ótimo tema para minha coluna”, e eis que é sobre ela nossa discussão de hoje.
O
trecho me remeteu a inúmeras reflexões que descrever a seguir.
A
segunda reflexão é fundamentada em Freud (1930) e sua obra “Mal-estar na
cultura” quando diz que cada um de nós busca a felicidade de uma determinada
maneira. O grande problema é que a felicidade, de acordo com ele, possui duas
metas: uma positiva e outra negativa.
Por
um lado teríamos a ausência do sofrimento e de desprazer, e, por outro, a busca
por experiências intensas de prazer. Sendo assim, o homem busca realizar um ou
outro desses objetivos.
Isso
significa dizer que - voltando a frase do poeta russo - ou a gente acaba com o
tédio ou nos entregamos a vodka. Só não é possível seguir pelos dois caminhos
ao mesmo tempo.
A
terceira reflexão é o que me fez pensar a respeito do lugar que o prazer tem
ocupado em nossa sociedade. Alguns lemas conhecidos como: “Viva cada dia como
se fosse o último” “é melhor se arrepender do que fez do que não fez” nos dá a
ideia de uma vida rasa e superficial.
E
digo isso porque agindo dessa forma estamos simplificando a nossa vida em mera
satisfação dos impulsos. E a vida é muito maior do que isso. Não é?
Questões
como essa nos remetem a forma como nossos avós viviam. Se antes eles eram
constantemente reprimidos por não poderem satisfazer seus impulsos, hoje sofremos
com essas exigências que nos atravessam quase como obrigações.
Se você não agir, é um
covarde! Está descontente no trabalho?
Demita-se!
Quer se divertir? Beba!
E
seguimos doentes e cansados, e ainda assim, apesar de toda essa “intensidade”,
insatisfeitos.
Isso nos faz pensar que impulso é sinônimo de
superficialidade. Ora, para agir não é preciso pensar, e está aí um dos grandes
problemas vivenciados pelas pessoas hoje. O que me leva a quarta reflexão.
Hoje,
os inúmeros discursos motivacionais de muitos líderes, palestrantes e até mesmo
figuras religiosas, dão enorme ênfase ao agir no lugar do pensar.
São
sempre no imperativo os seus discursos. “Faça!”, “Seja!”, “Tenha mais atitude!”.
Ou é um discurso ainda mais raso pautado na ideia de que “tudo vai dar
certo” “é só ter fé”. A ação sem pensamento é tão vazia e superficial quanto o
tal do “pensamento positivo”.
Deixando
claro que não faço menção a qualquer religião, e tudo bem se você tem fé, o
problema é quando você acha que isso basta. E aprendemos muito durante a vida.
Não basta ter fé ou pensamento positivo!
Freud
também tem uma frase em que diz: “O pensamento é o ensaio da ação”. Porém, é
justamente o oposto o que mais vemos hoje. É só depois de agir, que se pensa
nas consequências. Assim, a ação passa a ser o ensaio do pensamento.
Essa
associação faz alusão ao que temos vivido hoje. É preciso correr constantemente
e agir incessantemente para podermos nos enquadrar aos ideais impostos. Como
consequência disso, tornamos reféns de atuações que no fim, podem nos levar a
um colapso.
Com
isso, morremos de vodka porque não suportamos o tédio, a falta e o vazio, mas
aplaudimos os excessos e a superficialidade.
E
pra encerrar essa série de reflexões, morremos de vodka quando tentamos
resolver tudo de forma rápida e indolor, porque não podemos ser vistos pelas
pessoas como “fracos” ou “tristes”.
A consequência
disso são pessoas superficiais e otimistas demais acreditando que nenhum mal
pode lhe acontecer.
No
final, nem sempre pode dar tudo certo, como pregam os discursos motivacionais.
E negar o nosso lado humano, isto é, como seres que sofrem, negamos que sim,
podemos morrer de vodka.

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