sexta-feira, 24 de julho de 2015

A confusão nos afetos


A Mãe

A menina escreveu uma história. "Mas quão melhor seria se você escrevesse um romance", disse a mãe. A menina construiu uma casa de bonecas. "Mas quão melhor seria se fosse uma casa de verdade", disse a mãe. A menina fez um travesseirinho para o pai. "Mas quão mais útil seria uma colcha", disse a mãe. A menina cavou um pequeno buraco no jardim. "Mas quão melhor seria se você cavasse um buraco grande", disse a mãe. A menina cavou um buraco grande e entrou nele para dormir. "Mas quão melhor seria se você dormisse para sempre", disse a mãe.

Esse conto foi publicado no jornal Folha de São Paulo no dia 04/05/2014 e é de Lydia Davis, conhecida por seus escritos brevíssimos. Este conto está em seu primeiro livro:"Break it Down" (1986). É americana e ganhadora do Man Booker International Prize em 2013. 

Quando existe amor, há também o desejo de morte, bem como nos ensinou Lacan em seu seminário XX (Mais, ainda) no termo "Amódio".

Nesse sentido, o motivo do título dessa postagem é a respeito da confusão de afetos, da crença de que o amor de mãe é inato e não construído.


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