segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Por uma feminilidade possível




De acordo com Lacan em seu texto "Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise (1964-1965) a questão feminina é abordada a partir da ideia de criatividade pela qual o significante recorta as bordas do real e o produz como seu exterior. "Onde está o fundo? É a ausência? Não. A ruptura, a fenda, traço da abertura faz surgir a metade". (p.31). Este é um paradigma lacaniano, de modo que torna-se importante para a abordagem do furo no simbólico, ou seja, num mais-além do falo. As mulheres estão sempre ameaçadas por algo sem a inscrição simbólica irromper em seus corpos. Neste sentido, elas precisam constantemente serem resgatas do domínio do real, isto é, do que está fora do significado, sendo esta, uma maneira de cobrir a mulher frente ao nada com o qual ela se depara em seu espelho inacabado de sua definição feminina.
Se seguimos essa indicação, de que o falo e a castração não são mais obstáculos a feminilidade,  mas sim, condições para uma feminilidade possível, há uma delimitação do significante como função criadora.

Fonte: Os Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise (O Seminário, livro 11), 1964-1965.


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