quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Feminilidade: limite do indizível




Quando falamos em feminilidade, caminhamos para um lugar de aventura, antes de mais nada, pois, como disse Joel Birman em seu livro: "Cartografias do feminino", é uma viagem pelo imprevisível no limite do indizível. Esse caminho é dito "indizível" porque corresponde a um registro psíquico que se opõe ao falo, como vemos na tradição psicanalítica. A feminilidade assim, está envolta pelo particular, o relativo e não sob o controle das coisas, visto que pelo falo, o sujeito detém a totalização, bem como o controle sobre as coisas e os outros.

É por essa razão que sob a perspectiva freudiana, a feminilidade está ligada ao desamparo, como nos lembra Birman nesse mesmo livro citado acima. É importante lembrar que o autor traz o feminino no contexto da teoria sexual freudiana.

Birman designa a feminilidade como finitude e esse desamparo, dito por Freud, como condição existencial do ser humano. 

Como Freud legou a psicanálise e aos poetas o mistério do feminino, creio que ninguém melhor do que Goethe (o poeta preferido de Freud) para expressar de forma linda e brilhante esse "continente negro" dito por ele em muitas de suas obras. O poema se chama "Eterno Feminino" (Das ewige Weibliche) e está no desfecho de Fausto.

Todo o efêmero
é apenas uma aparência.
O inacessível
aqui se torna acontecimento.
O indescritível
aqui é feito.
O Eterno-Feminino
para o alto nos arrasta.


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