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| Imagem: Unsplash |
Não é possível
abordar esse tema sem antes expor a seguinte questão: o que é ser homem hoje? É ser machão? É ser heterossexual? E ainda,
por que um homossexual não seria um homem? Essas questões nos remetem ao fato
de que há uma confusão, evidenciando, portanto, que a vida contemporânea nos
traz uma ruptura aos antigos padrões.
O homem e o amor
O homem há
algum tempo atrás, era aquele que estava seguro na relação amorosa com a mulher.
Ele poderia saber o que sentia, e se via como possuidor do que desejava a (sua)
mulher, isto é, sua própria masculinidade.
Ser homem aqui
significava ser o portador daquilo que satisfaz o desejo de uma mulher, ou
seja, o que pode transmitir uma orientação e apaziguamento a aflição feminina.
Nesse sentido, ser homem é possuir a condição necessária para prover. E com
isso, estar no poder. De modo geral, podemos dizer que, na história humana, o
poder sempre foi “coisa de macho”.
Como amava o homem cujo pai era severo, e sua
vontade era muitas vezes expressa num único olhar enfurecido? Esse homem não
foi “ensinado” para amar, mas, sim, para ser amado. E amar fragiliza,
enfraquece, gera dependências em relação ao objeto amado.
Diante desse
contexto, o amor diz respeito mais à mulher. Por isso que esse Homem com
maiúscula perde as suas forças enfraquecendo-se por amor, podendo, diante
disso, ser taxado de “mulherzinha”.
Por outro
lado, o que vemos muito atualmente, é um ideal de homem encarnado, muitas
vezes, num Don Juan, um “pegador”, aquele homem sedutor que arrebata toda e
qualquer mulher.
Essa concepção
de homem vai de encontro com a queixa de muitas mulheres quando dizem que os
homens hoje não se apegam, não se apaixonam, querendo apenas sexo, sendo assim,
fogem do amor, do compromisso, etc.
O sociólogo Zygmunt Bauman nos convoca a
pensar sobre esse ponto quando em “Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços
humanos” diz a respeito da superficialidade dos amores na vida contemporânea, e
a liquidez dos amores que se desfazem antes mesmo de começarem.
Todavia, mesmo
diante de todo o contexto apresentado, nos tempos atuais, esse homem, livre e
desapegado, passou a amar! No entanto, é um terreno totalmente desconhecido
para ele, dominado apenas pelas mulheres.
Assim, quando
um homem perde a mulher que ama, ou se separa dela, é como se uma parte dele
mesmo, fosse cortada fora.
É aqui que a
clínica psicanalítica evidencia hoje, homens surpresos e traumatizados com
aquilo que se mostra desconhecido e totalmente inesperado para eles: o fato de
que a mulher que ele ama possa, em determinado momento, viver muito bem sem ele.
A separação para um homem é sempre muito mais pesarosa e difícil do que para
uma mulher.
Portanto,
podemos dizer que a superação de um amor perdido também passou a ser problema
de homem. E com isso, talvez, pode-se dizer aquelas mulheres que se queixam de
que o homem não se envolve, pelo menos em alguns casos, ao fato deles não terem
superado um relacionamento traumático anterior, ou seja, um amor que deu
errado.
Segundo a
psicanálise, o seu inconsciente está sob o efeito do que Freud chamou de “fixação da libido”. Nesse sentido, não
estariam livres para vivenciar um novo amor, passando, assim, a desfrutarem
apenas do sexo.
Como amar sem perder a virilidade?
O desafio hoje
é de que o homem possa amar e ao mesmo tempo preservar a sua virilidade. Porque
amar implica estar numa posição feminina, portanto, o amor feminiza, e como ser
viril e feminino ao mesmo tempo?
Isso só será possível quando o homem não
buscar na mulher aquilo que falta a ele. Quando ele se der conta de que essa
mulher não é parte de si mesmo, mas alguém que é outra,
e, portanto, diferente dele.
Dessa forma, o homem necessitaria fazer o luto
de encontrar em sua parceira a sua própria falta. E sabemos que o luto é um
processo doloroso, triste, mas leva ao desapego. Só assim para que o objeto
amado não se torne insubstituível e ele possa, enfim, compreender, que um novo
encontro amoroso pode estar sempre ao seu alcance.

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