Hoje comemora-se o aniversário de Honoré de Balzac!
Balzac nasceu em Tours, França, em 20 de maio de 1799, em uma família pequeno-burguesa. Com dezenove anos convenceu seus pais a sustentarem-no em Paris, pois queria tornar-se um grande escritor.
Era obcecado pela ideia da glória literária e da fortuna, o que lhe rendeu o fracasso como homem de negócios.
"Em 1833, ele teve a antevisão do conjunto de sua obra e passou a formar uma grande "sociedade", com famílias, cortesãs, nobres, burgueses, notários, personagens de bom ou mau caráter, vigaristas, camponeses, homens honrados, avarentos, enfim, uma enorme galeria de tipos que se cruzariam e voltariam em várias histórias diferentes sob o título geral de "A comédia humana". Convicto da importância da ideia de unidade para todos os seus romances, escreveu à sua irma: 'Saudai-me, pois estou seriamente na iminência de tornar-me um gênio".
É importante ressaltar que Balzac criou um espetacular conjunto de personagens femininos que, assim como dizem seus biógrafos e críticos, tem uma dimensão bem maior do que o conjunto dos seus personagens masculinos.
A Comédia Humana que tomou vinte e um anos de sua vida, e só foi interrompido com a sua morte, aos 51 anos, reúne 89 títulos, como as obras-primas "Eugenie Grandet"; "O pai Goriot"; "O livro do vale" e "Ilusões perdidas".
O motivo de estar trazendo Balzac aqui, é pelo livro: "Mulher de 30 anos", livro este, mais conhecido e mais famoso de Balzac, porém não é o seu melhor livro. O termo "balzaquiana" para designar mulher mais madura, provém dele. O livro, lido por mim em 2014, trouxe-me um conhecimento ímpar a respeito da feminilidade da personagem principal, Júlia, contribuindo indiretamente a realização de meu TCC. Selecionei um dos trechos mais lindos do livro. Apreciem-no:
"O rosto de uma mulher jovem tem a calma, o polimento, o frescor da superfície de um lago. A fisionomia das mulheres só começa aos 30 anos. Até essa idade o pintor só encontra em seus rostos o rosa e o branco, pensamento de juventude e amor, pensamento uniforme e sem profundidade; mas, na velhice, tudo na mulher se exprimiu, as paixões se incrustaram em seu rosto; ela foi amante, esposa, mãe; as expressões mais violentas da alegria e da dor acabaram por caracterizar, torturar seus traços, imprimindo nele mil rugas, todas com uma linguagem; e um rosto de mulher torna-se então sublime de horror, belo de melancolia, ou magnífico de calma; se é lícito prosseguir essa estranha metáfora, o lago seco deixa ver então os traços de todas as torrentes que o produziram; e o rosto envelhecido de mulher não pertence mais nem à sociedade, que frívola, assusta-se ao perceber nele a destruição de todas as ideias de elegância a que está habituada, nem aos artistas vulgares, que nele nada descobrem, mas sim aos verdadeiros poetas, àqueles que têm o sentimento de um belo independente de todas as convenções sobre as quais repousam tantos preconceitos em matéria de arte e beleza".
(Honoré de Balzac em "A mulher de 30 anos", p.195)
Referência: A mulher de 30 anos; Honoré de Balzac (tradução de Paulo Neves), 2013.
Imagem: Pintura de Louis-Auguste Bisson (1842)

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