terça-feira, 13 de agosto de 2019

Breve reflexão sobre sonhos






Há todo um mistério que gira em torno dos sonhos. Mas, de acordo com a psicanálise, e mais especificamente, Freud, sonhos são a manifestação de um desejo inconsciente.

Há quem tenha livretos com os significados daquilo que se sonha, e até apostam na loteria caso se sonhe com algum número. Pode até dar certo mesmo, mas, a isso chamamos de sorte. E sorte vem e vai, para todos.

Existem abordagens na psicologia que traduz o sonho com uma explicação pronta, ou seja, se você sonha com cavalo, por exemplo, é porque significa isso e aquilo. Particularmente, respeito e até admiro essas teorias, mas não trabalho com elas.

Sonhos dizem sempre respeito ao próprio sonhador. É dele o sonho. É fruto de seu próprio inconsciente, de suas questões. Portanto, o sonho é único, e como tal, somente ele sabe traduzi-lo. Nesse sentido, o analista o ajudaria a torná-lo menos embaraçoso para si mesmo.

Todo sonho quer dizer alguma coisa. Até mesmo aquele em que você presume ser uma premonição de algo que pode acontecer a alguém, na verdade, é uma mensagem invertida que quer dizer algo a si mesmo.

Sonhos que se repetem seguem tendo esse mesmo raciocínio. Há algo que se repete em sua vida que também comparece em seus sonhos. O que poderia ser isso? A resposta não está numa teoria pronta, mas trabalhada numa sessão de análise através da única palavra que realmente sabe: a sua. 

Diante de tal temática, trago a vocês uma crônica de um sonho.

Apenas, respire

Repetia isso a mim constantemente ao acordar do sonho que acabara de ter.

Eu estava em uma piscina, e havia alguém que por alguma razão desconhecida, não conseguia identificar seu rosto.

Eu tentava subir a superfície, mas, era impedida por esse alguém. Eu lutava com as mãos em vão. E quando estava a um passo de desfalecer, esse alguém me soltava. 

Conseguia respirar aliviada, porém, não conseguia ver nada. E numa fração de segundos, lá estava eu de volta a briga pela vida novamente.

Isso continuou por um tempo que eu não sei dizer. A briga pela vida era sufocante, eu não via e nem ouvia nada. Apenas sentia meu corpo ir e vir num descompasso frenético.

Dentre as inúmeras vezes em que me corpo estava flutuando nesse ir e vir, e a ponto de desfalecer de novo, sinto outro alguém me tirar com fúria dessa loucura toda.

Também não consigo ver. Não consigo entender. Estou embalada em braços desconhecidos e com grande dificuldade, num som que parecia vir de longe, consigo ouvir uma voz masculina grave e ao mesmo tempo calma, que diz:

“Apenas, respire. Você está salva. Está comigo.”

Acordei assustada, mas, ao mesmo tempo me sentindo tão segura. Passei a repetir aquilo que virou um mantra toda vez que algo me sufoca e pareço desfalecer a olhos nús:

“Apenas, respire. Você está salva.”


Simony Thomazini 


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